terça-feira, 6 de maio de 2008

Água no chope

A mídia é palanco para discussões sobre a regulamentação da propaganda de cervejas no rádio e tv. Pela proposta do Congresso os anúncios da bebida devem ser veiculados entre 21 h e 06h e a cerveja passa a ser considerada como bebida alcoólica, tendo restrições também na publicidade do produto.

A Associação Brasileira de Agências de Publicidade (ABAP) é financiadora da campanha contra as restrições do Congresso e, assim como as peças das cervejarias, está presente nos principais veículos e em horários nobres, lembrando que a responsabilidade pelos atos da embriagues é de quem coloca o álcool em seu corpo e não das empresas anunciantes.

É bem possível que esta pressão da ABAP dê resultado, os veículos de comunicação perderiam muita receita com a restrição de propagandas das cervejarias. E críticas, especialmente ao governo, que se iniciam quando alguém poderoso fatura menos.

Por outro lado, ao veicular este tipo de produto no horário proposto pelo Congresso, o público-alvo, seria mais afetado. Os jovens, maiores de 18 anos, em sua maioria trabalham e/ou estudam e, geralmente assistem a tv, o meio mais influente, no horário noturno.

A propaganda tem como meta direcionar a necessidade dos consumidores á determinado produto, mas não coloca ninguém atrás do volante para dirigir embriagado. Será que controlar o horário da venda não traria menores índices de alcoolismo? E educar a população sobre a conseqüência de seus atos?

As ações públicas emergenciais sempre caminham para atos mais drásticos, mas será que exemplo, o glamour de um cigarro aceso para um recém-adolescente diminuiu com a proibição da propaganda de cigarro? A influência da publicidade não ocorre nos anúncios e sim durante a novela, senhores congressistas.

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